Era uma vez um pequeno ouriço chamado Nino. Nino tinha espinhos bem macios e um coração cheio de música. Todos os dias, ele ouvia os animais cantando perto do riacho. Era o Grande Coral da Floresta, regido pela sábia Dona Coruja.
Nino sonhava em cantar com o grupo. Mas ele era muito tímido. Sempre que pensava em pedir para entrar, sentia vergonha, enrolava o corpinho e virava uma bolinha quieta no chão.
— Minha voz é tão baixinha... — sussurrava Nino para as folhas verdes. — E se eles acharem feio?
Certa manhã ensolarada, o coral ensaiava uma canção de primavera. Os passarinhos cantavam bem alto:
— Piu, piu, piu!
Os sapinhos coaxavam no ritmo:
— Cró, cró, cró!
Mesmo assim, Dona Coruja parou a música e ajeitou seus grandes óculos.
— Falta alguma coisa — disse ela, pensativa. — Nossa canção precisa de um som suave, bem fofinho, como o barulho do vento nas árvores.
Escondido atrás de um arbusto, Nino começou a cantarolar baixinho, sem perceber:
— Hummm, hummm, la-la-lum...
Era um som doce e tranquilo. Os pássaros pararam de piar. Os sapos ficaram quietos. Dona Coruja bateu as asas de mansinho e pousou perto dele. Nino ficou com vontade de se esconder, mas viu o olhar bondoso da coruja.
— Nino, que voz adorável! — elogiou ela com um sorriso. — É exatamente o que faltava na nossa melodia. Você quer cantar conosco?
O pequeno ouriço olhou ao redor. Todos os animais batiam palmas e acenavam, felizes. Nino sentiu um calor quentinho no peito e seu medo foi embora.
Ele deu um passo à frente e cantou com alegria:
— Hummm, hummm, la-la-lum!
Juntos, os bichinhos criaram a música mais linda de toda a mata. Nino aprendeu que seu jeitinho calmo era especial e que na floresta sempre há espaço para novos amigos.